
Por que fazer uma convocatória aberta?
Nos últimos anos, o setor sem fins lucrativos tem debatido o valor e a contínua relevância das convocatórias abertas para financiamento em um momento de uma crescente concorrência por recursos e do extenso uso de IA generativa. Será que essa abordagem ainda faz sentido para os financiadores e para as organizações a procura de apoio?
Na Fundação Tinker, passamos os últimos meses analisando exatamente essa questão. Nossa convocatória aberta de 2026 gerou quase 1.500 propostas, sendo que menos de 1% das organizações terminou recebendo financiamento. Nossa pequena equipe dedica um grande esforço à análise de cada proposta, e entendemos a frustração das organizações cujos projetos estão bem alinhados à nossa missão, mas que não avançam no processo de seleção. Embora a etapa inicial exija um esforço relativamente pequeno de cada candidato em particular, sabemos que, em termos gerais, representa milhares de horas investidas por parte das organizações em toda a América Latina.
Diante dessas considerações, acreditamos que seja justo explicar o motivo pelo qual continuamos trabalhando dessa forma, e também compartilhar algumas medidas adicionais que estamos adotando para fazer que o processo seja mais eficiente para todos.
Por que mantemos essa convocatoria aberta — por enquanto
- Porque continua sendo a melhor forma para que a Fundação Tinker possa identificar oportunidades de financiamento relevantes que, de outra forma, talvez não tivéssemos conhecido, especialmente aquelas provenientes de organizações que estão fora de nossas redes atuais. Em cada ciclo de cartas consulta recebemos propostas de centenas de organizações que atuam em nossas áreas programáticas, o que pode conduzir a futuros financiamentos ou ao fortalecimento de relacionamentos.
- No diálogo com as organizações, inclusive com aquelas que não receberam financiamento da Fundação Tinker, constantemente recebemos a recomendação de manter a convocatória aberta, pois representa uma das últimas “portas abertas” para o financiamento na região.
- Estamos aprimorando a nossa capacidade de utilizar as informações do processo de cartas consulta para orientar nossa própria estratégia e apoiar a construção de relacionamentos para além da Fundação Tinker. Nosso processo de cartas consulta nos permite atualizar constantemente nossa compreensão sobre os principais desafios que enfrenta a América Latina e as estratégias que emergem para fazer frente a eles. Observamos tendências nos temas dos projetos e nos perfis das organizações, bem como as mudanças nas condições locais — conhecimentos que compartilhamos com nossos pares e com nossos aliados. Também estamos cada vez mais focados em usar o processo de cartas consulta para promover conexões entre organizações e outros financiadores, sempre que possível. Por isso, no ano passado, começamos a solicitar às organizações autorização para compartilhar suas cartas consulta com outros doadores, e isso resultou em novas conexões para financiamento.
O que estamos tentando melhorar
- Estamos sendo ainda mais transparentes quanto aos números do nosso processo, incluindo as baixas taxas de aprovação para a maioria dos candidatos. Dessa forma, as organizações dispõem de informações plenas para decidir se devem ou não enviar uma carta consulta.
- Atualizamos nosso site e nossas comunicações para deixar mais claro o que financiamos e o que não financiamos. As organizações que não estejam totalmente alinhadas às nossas prioridades programáticas e aos critérios de elegibilidade não serão bem-sucedidas na solicitação, e queremos deixar isso muito claro.
- Estamos criando mais oportunidades para que as organizações interessadas se comuniquem e interajam conosco, incluindo a realização de pelo menos três webinars públicos no último trimestre de 2026, bem como diálogos com redes e grupos específicos de organizações.
Esperamos que, em conjunto, essas medidas ajudem as organizações a tomar decisões mais fundamentadas sobre a solicitação de financiamento da Fundação Tinker.

